Olá
Demoro a escrever neste blog, não por falta de assuntos para partilhar, mas por manifesta falta de tempo.
Às vezes preguiça, admito!
Mas hoje em particular aconteceu algo que me fez querer desabafar e partilhar, talvez alguém mais se identifique e se reveja nestas situações.
Nunca senstiste que eras um carro em contra-mão e que afinal os outros é que estavam todos certos?
Mas quando tentas fazer inversão de marcha, afinal, não te dás bem na direcção em que vais?
Se sim continua a ler, acho que este desabafo te vai dar jeito para algumas atitudes que terás que ter ou tomar, desde que não contrariem completamente a tua alma. Em jeito de discurso politicamente correcto chamamos à coisa: Cedências!
Que somos animais sociais todas sabemos, que gostamos do grupo, da tribo, do sentido de pertença também.
Até aquelas ou aqueles que se dizem gostar do seu mundo, da sua solidão, do seu isolamente, estão em fuga duma realidade qualquer.
O ser humano, ou o que resta dele, na sua essência, é um animal social, tribal e precisa da sua alcataia para se identificar e partilhar.
E, duma forma ou de outra, temos um grupo de amigas, de amigos, os colegas do Ioga, do Tai chi, ou de outro Chi qualquer com o qual nos identificamos, marcamos jantares e sociabilizamos.
Até aqui a coisa vai rolando. Tudo o que meta copos, comer e beber, conversar, fluir, rir, brincar, dançar descontraidamente tudo bem. É mais um convívio que se faz de vez em quando.
Tudo se complica quando o grupo que até então era só para umas degustações de repente se transforma num clube de leitura, num grupo de meditação guiada, numa instituição de auto-desevolvimento, ou até numa equipa desportiva em que o comprOmisso dos jogos e dos resultados dependem de cada um e de todos em geral.
Tudo o que referi acima foram meros exemplos, os grupos e as tribos extendem-se por uma infinidade de assuntos e interesses comuns.
Há uns 10 anos atrás iniciei a minha integração num grupo de seres humanos com objectivos historico-filosóficos e espirituais interessante que, no limite, pensei eu, me iria enriquecer profundamente sob o ponto de vista não só evidentemente espiritual, como inclusivamente a nível duma cultura geral que me entusiasmava.
Abandonei ao fim de 5 anos, porque cheguei à conclusão que se a coisa fosse para não questionar estava tudo certo, quando se levantava uma ou outra questão, aí já se estava a ser incómoda.
A paciência era pouca, a disponibilidade começou a diminuir e o Universo na sua imensa mas implacável sabedoria, colocou-nos a todos em casa durante uns meses
Alguns, como eu, concluiram que até estavam muito bem e que o ruído à volta era pura entropia, e como tal, terminado o momento de confinamente, veio o momento de tomada de decisões: bati com a porta e fui viver a minha cultura geral e a minha espiritualidade de outra forma e beber de outras fontes.
O ano 2025 foi um tanto o quanto cruel comigo no que diz respeito a mortes. Duas amigas, várias pessoas conhecidas da vida toda, umas próximas outras menos, um dos meus animais também decidiu partir inesperadamente, e num desses funerais reecontro-me com o passado.
Novo convite, formas diferentes, outra experiência de vida, outra maturidade, outra forma de ver os outros e de me ver a mim, ok vamos em frente, vamos lá tentar mais uma vez tentar esta pertença que às vezes falha numa tribo cujos objectivos são comuns.
Sou Peixes, já vos disse. Portanto, danço na maionese de quando em vez e gosto muito de sonhos mirabulantes e de acreditar nas viagens ao país da manhã, como diria Herman Hess.
Caí na mesma ratoeira que eu própria construi ou melhor, onde voltei de livre e espontanea vontade por convite e sem ser sequer forçada. Pus-me a jeito como dizemos na giria.
Bastaram 5 meses, nem uma gestação sequer. 5 pequenos e imberbes meses...
Ora bem, constatações:
Sou opinativa! (então não é o que se espera de seres pensantes?)
Não é o seu opinativa, é mais a forma como opino. Ok admito! Sou excentrica, gosto de um bom contraditório. Para isso serve o cerebro não? Ou vamos todos dizer Sim, Não, Talvez, sem mais nada para não ferir susceptibilidades?
E assim continuamos....
Uma infinidade de atributos que vim a descobrir que tinha (mentira já sabia há muito, afinal tenho ascendente em Carneiro para alguma coisa é), e que de certa forma incomoda algumas pessoas mais sensíveis.
Entenda-se sensíveis quando se diz que não se concorda ou que se enganou, acontece.
E isto põe-nos num confronto interno brutal.
Afinal eu sou o carro em contra-mão e não há maneira de acertar com a entrada correcta da auto-estrada!
Mas era fácil demais sair, bater com a porta, mandar tudo àquela parte e dizer alto e bom som: eu estou literalmente a mandar-vos para outra parte!
Este segundo retorno de Saturno foi ácido, está na fase final, mas acho que como velho manhoso que é me trouxe algum poder de reflexão, maturidade (pouca) - mas o pobre do Saturno esforçou-se coitado! - e alguma resiliência (está na moda a palavra) também.
E portanto, decidi não abandonar o barco só porque alguns marinheiros não gostam da forma como remo.
Vou assumir uma atitude "nude". Para quem me conhece, está garantido um espectáculo digno dum Oscar.
Eu em registo "nude"!
Pouco barulho, discreta, sem opinião, calada (misericórdia aos céus), boa ouvinte, sem levantar fleuma, num registo absolutamente low profile, se é que me entendem.
Vai resultar? Não sei. Não sei se resulta nem sei por quanto tempo.
Mas sei que vou tentar.
A sério que vou.
São aquelas oportunidades que pensamos e dizemos num acto de reflexão: "Mas afinal o que aprendeste até agora? Nunca viste as tuas sombras? Não as contaste? Não as identificaste? O que te falta aprender para deixares de andar em contra-mão?"
Talvez este seja o esforço que nunca quis fazer. Há sempre motivos.
Os argumentos que usamos são gerais e usados por todas/os:
Porque sou assim e ponto final!
Porque se não gostam de mim como sou, vou embora!
Porque não me respeitam!
A lista é infinita, e justificada, sempre! Não nos faltam argumentos e válidos para desobedecermos ao que os outros esperam de nós.
A pergunta de 1 milhão:
Onde começo eu ou onde começa a minha reactividade?
Quando "os outros" me querem mudar ou que tenha atitudes diferentes....é assim mesmo? Ou sou eu a ser reactiva e a bater o pé como uma mimada que não aceita, também pelo seu lado, um reparo ou uma constatação?
A solidão é viciante. Não haver ninguém para nos contrariar, não sermos constantemente avaliadas ou julgadas, não termos que agradar a ninguém.
Tudo se torna tão mais fácil! E tudo o que é fácil vicia e dá prazer. Esse também é um lado do ego que temos que rever.
Decid fazê-lo!
O "nude" não vem sozinho. Vem duma consciência de auto-análise, auto-conhecimento, auto-transformação.
As perguntas que me faço são:
Até onde vais aguentar?
Até onde te vais permitir?
Até onde seguras a tua reactividade?
Aqui está a grande provação!
O limite é: Agimos por capricho ou estamos a torcer a nossa alma?
Estamos realmente a constatar "esta não sou eu"? Ou "afinal também sou eu, mas proactiva"?
Estas serão as provações e as constatações a fazer após a experiência! Tudo isto foi entregue ao domicilio pela tal coisa que se chama maturidade? Talvez. Sim, talvez. Chegamos a uma fase da vida a após tantas experiências, altos e baixos, abandonos e abraços, recuos e avanços, que tomamos a verdadeira consciência que temos de dar uma oportunidade a nós próprias e aos outros também.
O "nude" só pode funcionar se do outro lado houver respeito. E isso é inegociável.
A sabedoria traz realmente algumas vantagens, e a sabedoria interna tem de ser a muleta que nos ajuda no processo.
Aceitei o desafio. Venha mais uma lição!
Depois escrevo um livro e tenho o assunto resolvido.
Cenas nos próximos capítulos estão prometidas.
Até dava jeito fazer disto um diário....não diário mesmo, mas um resumo mensal. Vou ver se não esqueço.
Até lá é para pensar mesmo: o que nos traz o "nude". Quantas guerras evitamos? E quanto pacificamos como observadoras?
Abraço-luz
@terapiasmulherholistica
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