segunda-feira, 4 de maio de 2020

COVID 19 E A LIDERANÇA DAS MULHERES

Ola


Hoje a minha partilha é na íntegra uma cópia de um artigo publicado no jornal  O GLOBO MUNDO  e este artigo escrito por Ana Rosa Alves.

Não há coincidências e não acredito nelas. Tudo acontece com um propósito divino e tudo tem uma razão, embora muitas vezes nem saibamos quais são.

Assim, houve quem reparasse neste detalhe importantissimo: Países governados por mulheres tiveram números mais "simpáticos", entenda-se  menos dramáticos, de contaminados e mortos pelo Covid-19.
Pelo menos até hoje!

Será que atitude prudente e sensata das mulheres fez a diferença nestes resultado?!
Pelos vistos sim.




 Não há uma resposta global unificada à Covid-19, com países tendo diferentes níveis de sucesso no combate à doença. É consenso, no entanto, que TaiwanNova ZelândiaAlemanha e alguns países nórdicos estão entre as nações mais eficientes em controlar a pandemia em seus territórios. Com tamanhos, culturas e em continentes diferentes, elas têm algo em comum: são governadas por mulheres.
Segundo a ONU, as mulheres ocupam apenas 7% dos cargos de liderança globais, algo que chama ainda mais atenção para seu sucesso na contenção do vírus. Isto deve-se, em maior parte, a intervenções rápidas, baseadas em argumentos científicos, testes em massa, medidas de isolamento efetivas e transparência com a população.
A eficiência com que Tsai Ing-wen agiu chama atenção. Com cerca de 23 milhões de habitantes, Taiwan tem 395 casos diagnosticados de Covid-19 e apenas seis mortes. A estatística é ainda mais surpreendente frente à grande vulnerabilidade da ilha: localizada na costa leste chinesa e vista por Pequim como uma província rebelde, a nação tem apenas 15 aliados diplomáticos e nem sequer faz parte da Organização Mundial da Saúde.


Tsai Ing-Wen, durante visita à fábrica de máscaras em Taipé Foto: ANN WANG / REUTERS
Tsai Ing-Wen, durante visita à fábrica de máscaras em Taipé Foto: ANN WANG / REUTERS

Em 31 de dezembro, mesmo dia em que o governo local de Wuhan, berço da doença, assumiu ter registrado casos de uma “pneumonia misteriosa”, Tsai anunciou que os voos originários da cidade passariam por inspeções sanitárias. No dia 23 de janeiro, todos os visitantes de Wuhan foram banidos, veto estendido em 6 de fevereiro para todos os chineses.
Com o agravamento da pandemia, Taipé criou um centro de controle para a Covid-19, que centralizou a resposta à pandemia. No dia 19 de março, buscando evitar uma nova onda de coronavírus desencadeada por casos importados, Tsai anunciou o fechamento das fronteiras para todos os não residentes. O país também aumentou consideravelmente a produção de equipamentos respiratórios e máscaras – 16 milhões das quais serão doadas para alguns dos países mais afetados pela doença, entre eles os EUA e Estados-membros da União Europeia.

Alemanha

É evidente que não há correlação direta entre gênero e competência, mas pesquisas realizadas pela Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, e pela Universidade Radboud, na Holanda, mostram que mulheres, quando sob pressão, tendem a tomar menos riscos em suas escolhas, agindo de forma mais prudente. Entre 32 estudos sobre a diferença na tomada de decisões de acordo com o gênero, 12 perceberam que elas recorrem mais à lógica e à análise de dados, enquanto os homens são mais intuitivos. Os outros 20 não constataram diferenças.
— É importante que qualquer liderança estratégica competente e  responsável esteja conectada com a realidade, e quem faz essa ponte é a ciência, são especialistas, os fatos e os dados. E essas mulheres vêm fazendo isso de forma muito eficiente — disse Maisa Diniz, co-fundadora do coletivo suprapartidário Vote Nelas, que busca aumentar a participação feminina na política. – Fica cada vez mais claro que a competição e a agressividade não são sustentáveis ou desejáveis em um momento como esse.
A chanceler Angela Merkel se destaca por seu pragmatismo mesmo em meio à crise sanitária mais grave de sua gestão. Sua abordagem pró-ciência e direta é extremamente benquista pela população: a chanceler viu sua popularidade voltar a crescer após uma polêmica união de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU) com a extrema direita em uma eleição regional.


Angela Merkel, durante entrevista coletiva em Berlim Foto: POOL / via REUTERS
Angela Merkel, durante entrevista coletiva em Berlim Foto: POOL / via REUTERS

Com 132.321 casos de Covid-19, a Alemanha é o quarto país do planeta mais afetado pela doença. Ainda assim, registra apenas 3.502 mortes – na vizinha França, onde há pouco mais de 131 mil casos, as mortes passam de 15,7 mil. Merkel evitou pedir um confinamento nacional, optando por uma série de medidas de distanciamento. Reuniões com mais de duas pessoas foram proibidas e escolas, lojas e centros esportivos, fechados. Além de ter o maior número de leitos de terapia intensiva do continente, o país aplica também testes em massa na população, ultrapassando 100 mil ao dia.

Nova Zelândia



Jacida Ardern, em captura de tela de um dos vídeos que postou em suas redes sociais Foto: JACINDA ARDERN / JACINDA ARDERN via REUTERS
Jacida Ardern, em captura de tela de um dos vídeos que postou em suas redes sociais Foto: JACINDA ARDERN / JACINDA ARDERN via REUTERS

Quem também recebe elogios é a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern. Ela anunciou um dos confinamentos gerais mais restritos do mundo em 23 de março, quando a ilha registrava apenas 102 diagnósticos confirmados, sem nenhuma morte. Menos de um mês depois, o país registra apenas 1.366 casos, com apenas nove óbitos.
Ardern implementou um sistema de alerta bastante detalhado, com quatro níveis, que orienta a população a agir. Nesta quinta, a premier anunciou que o país passará do nível máximo, o quatro, para o três na próxima segunda. Entre outras medidas, escolas serão reabertas, restaurantes funcionarão para retirada de pedidos e compras online voltarão a ser permitidas, assim como nadar e surfar.
Na semana passada, o país endureceu as restrições em suas fronteiras, obrigando todos os neozelandeses que retornam do exterior a se isolar em centros que o governo designará para esta finalidade. Reconhecendo os desafios econômicos impostos pela crise, a premier também anunciou cortes de 20% no seu salário e nos salários de seu Gabinete por seis meses.
Ardern se comunica de maneira transparente, empática e direta, dando entrevista coletivas diárias nas quais explica em detalhes os planos do governo e posta frequentemente vídeos caseiros em que simpatiza com os desafios da quarentena e busca tranquilizar a população. Com frequência, ela cita os cuidados com sua filha Neve, de pouco mais de 2 anos.

Países nórdicos

Sucesso parecido é visto nos países nórdicos, quatro dos quais são governados por mulheres. A premier da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, também agiu cedo, rastreando os contatos de pessoas contaminadas, pondo sob quarentena casos suspeitos e aplicando testes em massa na população de cerca de 360 mil habitantes. No total, 1.720 pessoas foram diagnosticadas com Covid-19, com oito mortes – taxa de mortalidade no país, de 0,47%, é uma das menores do mundo.


Katrín Jakobsdóttir, premier da Islândia Foto: SIGURJON RAGNAR / Facebook/Reprodução
Katrín Jakobsdóttir, premier da Islândia Foto: SIGURJON RAGNAR / Facebook/Reprodução

A Dinamarca, por sua vez, foi o segundo país europeu a anunciar uma quarentena, no dia 11 de março, antes do país registrar mortes pela doença. A população, no entanto, pôde continuar a sair nas ruas e a participar de reuniões com até 10 pessoas. Com 6.876 casos registrados e 309 mortes, a primeira-ministra Mette Frederiksen anunciou que o país dará início a uma retomada das atividades antes do previsto, com o retorno de creches e escolas de ensino fundamental nesta quarta-feira.


Premier dinamarquesa Mette Frederiksen durante discurso à nação Foto: PHILIP DAVALI / AFP/14-04-2020
Premier dinamarquesa Mette Frederiksen durante discurso à nação Foto: PHILIP DAVALI / AFP/14-04-2020

Já a Finlândia, governada por Sanna Marin, que com 34 anos é a premier mais jovem do mundo, entrou em estado de emergência no dia 16 de março, com o fechamento de escola, espaços públicos e limitação de aglomerações. Os acessos à região de Helsinki, epicentro da pandemia no país, foram fechados alguns dias depois. Com a estabilização dos novos casos, eles foram reabertos nesta quarta. O país tem ainda um grande estoque de máscaras hospitalares, mantido desde a época da Guerra Fria.


Premier finlandesa Sanna Marin durante entrevista coletiva em Helsinki Foto: MARKKU ULANDER / AFP / 14-04-2020
Premier finlandesa Sanna Marin durante entrevista coletiva em Helsinki Foto: MARKKU ULANDER / AFP / 14-04-2020

A primeira-ministra norueguesa Erna Solberg também agiu rápido, fechando as fronteiras para estrangeiros, interrompendo as aulas e cessando aglomerações públicas. Quem descumprisse a quarentena, ficaria sujeito a 15 dias de prisão ou multas de até US$ 2 mil. Outra medida passível de detenção era se hospedar fora de seu município de origem. Tal qual as outras nações da região, a Noruega começa a levantar gradualmente as restrições, com a reabertura das escolas para crianças pequenas, de salões de beleza e clínicas de estética.


Primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, durante evento na Alemanha Foto: Andreas Gebert / REUTERS / 14-02-2020
Primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, durante evento na Alemanha Foto: Andreas Gebert / REUTERS / 14-02-2020

Evidentemente, estes países são, em sua maior parte, ricos, desenvolvidos e democracias bem consolidadas, mas seus sucessos e as lideranças por trás deles não deixam de servir de inspiração. Segundo a  pesquisa Jornada da Candidata, realizada pelo Vote Nelas entre 2019 e 2020, há uma busca activa por inspirações femininas na política e como a ausência de mulheres em cargos de liderança pode ser um empecilho para uma maior representatividade.
– É importante valorizar essas lideranças para que outras mulheres sintam que sim, esse é um lugar para elas. Foram muitos séculos em que estivemos banidas destes espaços e, quanto mais a gente conseguir evidenciar a importância delas, fica claro que isso é o melhor para todos – disse Duda Alcântara, co-fundadora do Vote Nelas.

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